ISMAEL NERY
 

Nasceu em Belém do Pará, em 1900. Nove anos depois, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro data, também, da morte de seu pai. Em 1915, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes. Viajou pela Europa em 1920, tendo frequentado a Academia Julian, em Paris.

De volta ao Brasil, trabalhou em arquitetura no Patrimônio Nacional do Ministério da Fazenda, onde conheceu o poeta Murilo Mendes que se tornaria seu grande amigo. Em 1922, casou-se com a poetisa Adalgisa Ferreira. Dessa união nasceram dois filhos. Nessa época realizou obras de tendência expressionista.

Em 1926, deu início ao seu sistema filosófico de fundamentação católica e neotomista, denominado por Murilo Mendes de Essencialismo. Sabe-se que a abstração de tempo e espaço fundamenta suas idéias principais. No entanto, Ismael Nery nunca chegou a escrever sobre elas. Apenas depoimentos de amigos e alguns poemas seus referem-se a essa filosofia.

Em 1927 fez nova viagem a Europa, onde entrou em contato com Chagall e outros surrealistas. Sua obra plástica sofreu, também, a influência metafísica de De Chirico e do cubismo de Picasso. Seus temas remetem-se sempre à figura humana. São retratos, auto-retratos e nus. São ausentes os temas nacionais, indígenas e afro-brasileiros. Nery seguia uma orientação menos regionalista, considerada por ele limitada.

Dedicou-se a várias técnicas aplicadas em desenhos e ilustrações de livros. Foi, também, cenógrafo. Nos últimos anos de vida escreveu muitos poemas, tendo destruído sua maioria. Murilo Mendes preservou alguns desenhos e poesias de seu amigo, tendo sido responsável pela redescoberta de Nery nos anos 60.

Em 1931, contraiu tuberculose. A partir daí, suas figuras tornaram-se mais viscerais e mutiladas. Em 1934, aos trinta e três anos de idade, morreu no Rio de Janeiro.

Entre várias exposições a respeito do artista, destacam-se as VIII e X Bienais de São Paulo, a Retrospectiva de Ismael Nery, em 1966, no Rio de Janeiro e a Retrospectiva Ismael Nery - 50 Anos Depois, em 1984, no MAC-USP.