kazuo-wakabayashi-at-errol-flynn-galleryEm 2015, e entre todas as exposições e iniciativas da Galeria de Arte Errol Flynn (Belo Horizonte), ganhou destaque na imprensa Mineira a exposição das obras do artista nipo-brasileiro Kazuo Wakabayashi. Nascido em 1931, na cidade de Kobe, Wakabayashi imigrou para o Brasil em 1961 e se naturalizou cidadão brasileiro no final da década de 60. Ele viria a ser um dos grandes nomes da pintura do Brasil de nosso tempo, tanto por seus desenvolvimentos em arte abstrata como por suas temáticas nipo-brasileiras.

Suas primeiras duas décadas no Brasil o levaram ao experimentalismo abstrato, em composições como Contraponto, Abstração, Vermelho ou Composição em Amarelo. Em Composição em Branco, de 1983, Wakabayashi já experimentava, junto com as formas e as cores, a inclusão das texturas que viria a caracterizar muito de seu trabalho posterior.

Além da contribuição que deu para a arte abstrata, Wakabayashi se considera e se define como um artista nipo-brasileiro, e isso se reflete automaticamente em sua pintura. Em uma entrevista ao órgão Soterópolis, gravada em 2009, o curador Valdemir Zanieck defendia Wakabayashi como um mestre na síntese na combinação das duas culturas, aplicando aos carateres, aos sentimentos e ao imaginário oriental de seu país natal as cores, a luz e também os temas mais próprios do Brasil, como uma mistura mágica entre os trópicos e o Sol Nascente. Zanieck refere também o amor que o pintor japonês tem pela Bahia e a forma como os mais pequenos detalhes da arte tradicional japonesa, como “os pequenos pássaros voando”, são capturados e transformados pela luminosidade, pela formas e sugestões da Natureza no Brasil e contribuem para criar um conjunto artístico único na pintura contemporânea brasileira.

Entre as imensas exposições onde esteve presente desde 1961, no Brasil, no Japão e em vários outros países, se destaca seu papel de representação numa exposição em Tóquio, em 2008, assinalando os 100 anos da emigração nipônica para o Brasil – ele que será um dos melhores representantes do “casamento” cultural entre os dois países.